miércoles, 23 de octubre de 2013
SYMPLICE B. MVONDO: Poesía Actual de Camerún
Selección del libro por Gladys Mendía
Ma mémoire est pleine
Comme une armoire de glaces
Que traverse la lumière du temps
Et je comprends enfin
Que ce n’est point le temps qui passe
Mais l’éternité
Qui sous chacun de nos pas
Se dérobe un peu plus
Anonymes du temps
Notre solitude est bien grande
Et dans chacun de nos gestes
Résonne notre peur d’être oubliés
Aussitôt qu’arrive la nuit…
La nuit se greffe au silence
Pour résonner toute notre solitude
Et même nos cris
Ne savent plus dire cette seulitude…
D’ailleurs à quoi bon crier
Lorsque même le vent ne nous écoute plus ?
Anonymes de l’histoire
Planqués dans les placards des non-dits
Des sujets qui dérangent
Et des questions imprononçables
Mais il viendra bien des archéologues de l’anonymat
Qui des poussières du silence
Viendront extraire nos mémoires
Oui
Il viendra bien un jour des archéologues
Qui des trous de l’histoire
Viendront arracher tous les visages anonymes
De nos nombreuses îles de Gorée
Nos nombreux Abidjan et tous nos Gaza
Il viendra bien des archéologues
Qui opposeront à l’histoire des tabous établis
Tous nos cris étouffés
Dans le silence de l’anonymat
Et peut-être qu’alors enfin
Nos voix pourront se frayer un chemin
A travers les méandres de l’oubli…
De l’oubli du temps
S’élèvent quelques voix anonymes
Qui résonnent leurs souffrances
Dans l’écho des jours infinis
Qui n’arrêtent pas de se donner la mort
Contre les miroirs du temps
Et contre vents et marrées
Se heurte leur volonté d’exister…
Contre vents et marrées
Seule notre volonté
Peut nous sauver de l’abîme
Car l’existence est une quête permanente
Et dans chacun de nos pas
S’inscrit l’instant d’après
Car encore
Les jours ne sont que le reflet de nos rêves
Mais quels auront été les rêves
De tous ces milliers de Gaza de Kigali de Bagdad
d’Abidjan de Tchétchénie de Soweto ou du Darfour ?
Des rêves de quels tyrans (ou de quel messie)
Leur quotidien a-t-il été le reflet ?
Le reflet des ombres dans le miroir
Semble un défilé de fantômes muets
Et on se demande de quels démons sont-elles le reflet
Nombreuses sont ces ombres
Qui déambulent dans les rues de nos mémoires
Et c’est à peine si on saisit
La solitude si présente dans leur regard
Ou le vide si plein dans leur sourire
Le sourire est une fenêtre de lumière
Par laquelle l’âme peut s’échapper
Et goûter au plaisir du néant
En ce monde
Où certains semblent porter plus lourdement le fardeau
Et le silence si bruyant de leur douleur
Semble crier en lui tout seul
Toutes les souffrances accumulées de la terre
La terre est un vaste chantier
Qui continue de chercher son ordre
Au milieu de ce chao
Que chaque jour elle perpétue
A se demander s’il y a vraiment du plaisir à se donner
la mort
Ou s’il se peut que l’humanité se haïsse tant elle-même
Et à petit feu la vie se consume
Comme un bout de mégot
Sur un nuage de brouillard
Le brouillard plane au-dessus du monde
Comme un grand nuage de néant
Et de nombreuses ombres errantes
Continuent de se cogner
Contre les parois du silence
Dans lequel elles sont emmurées
Et les minutes qui passent
Semblent interminables
Et les jours paraissent
Une éternité d’asphyxie…
Et la mémoire asphyxiée
Résonne comme une coquille trop pleine
Qui s’enfonce
Au fond de la vase
Et les quelques nénuphars témoins du tableau
Ne retiennent que le silence qui danse
Comme une apostrophe suspendue
Au milieu d’une phrase mal écrite
L’histoire est une phrase mal écrite
Qui résonne sa surdité
Comme un trombone mal huilé
Dans un concert de sourds
Et je comprends enfin
Le silence si muet
Dans le sourire de cet enfant
Au milieu d’une ruelle de Bagdad
Dont le cœur est un océan d’hésitation
Et une éternité d’abîmes
Entre l’amour et la haine
Entre l’amour et la haine
Le bout de l’horizon se brouille
Et le ciel s’éparpille
Mon âme malade se tord et se meurt
Et ma voix aphone
Se brise contre les parois de l’absurdité
Le monde n’est plus qu’un grand champ de mirages
Parsemé de miradors de l’illusion
Offrant un panorama de rêves impossibles
Et éparpillé jusqu’au bout de la terre
Mon cœur n’arrête pas de mourir
A chaque tic-tac du temps qui passe
viernes, 7 de junio de 2013
ONDJAKI ONDJAKI. Poesía Actual de Angola en Brasil
Ondjaki nació en Luanda Angola, 1977. Prosista y poeta, también escribe para cine y codirigió un documental sobre la ciudad de Luanda ("Ojalá crezcan Pitangas - historias de Luanda", 2006). Es miembro de la União dos Escritores Angolanos. Algunos de sus libros han sido traducidos al francés, español, italiano, alemán, inglés y chino.
materiais para confecção de um espanador de tristezas
tinha aprendido que era muito importante criar desobjectos.
certa tarde, envolto em tristezas, quis recusar o cinzento. não munido de nenhum artefacto alegre, inventei um espanador de tristezas.
era de difícil manejo – mas funcionava.
ondjaki
o início
segui a lesma. a baba dela parecia um rio de infância perdido no tempo. escorreguei no tempo.
nesse rio havia um jacaré. a fileira enorme de dentes lembrou-me uma pequena aldeia cheia de cubatas [talvez a aldeia de ynari];
adormeci na aldeia.
ouvi um barulho – era a lesma a sorrir.
o sorriso fez-me lembrar um velho muito velho que escrevia poemas. os poemas eram restos de lixo que ele coleccionava no quarto ou no coração das mãos.
abracei o velho. quase que eu esborrachava a lesma.
a garça e as tardes
encontrei uma garça gaga.
atropelava-se a si própria enquanto voava
com isso considerava-se aleijada.
pedi-lhe emprestada a gaguez.
hoje a garça é feliz.
eu ganhei o hábito
de gaguejar tardes.
apalpar manhãs
sonhei que estava enamorado pela palavra antigamente.
eu sorria muito nesse sonho – fossem gargalhadas. aproveitei a ponta desse sorriso e fiz um escorrega. deslizei. tombei no início de uma manhã.
pensei ver duas borboletas mas [riso] eram duas ramelas. peguei nas duas: o peso delas dizia que eu estava acordado. [a partir do tom amarelado das ramelas é possível apalpar manhãs].
então vi: nos dedos, na pele do corpo por acordar, estavam manchas muito enormes: eram manchas de infância
gosto muito desse tipo de varicela.
na casa do macedo
na casa do camarada macedo
as estrelas já não pedem licença
(ganharam à-vontade de entrar);
os gambuzinos expulsaram os sapos da noite,
tomaram uma minúscula colina.
de repente o céu entornou uma estrela
sobre a casa.
a poeira cósmica faz sombra
na casa dele.
hoje mesmo, agorinha, os gambuzinos recuaram
e se recolheram – perto da represa.
fizeram as pazes com os sapos.
um dia, atrás do tempo,
o camarada macedo chegou nesta colina
e cumprimentou um lagarto (dono de uma nocheira);
esse lagarto é que autorizou o camarada macedo
a habitar o local.
nesta casa circulam abelhas mansas,
quissondes inofensivas.
até estrelas.
o camarada macedo ainda agora me disse:
«esse lagarto faz parte da família.»
[o camarada macedo também deve fazer parte da família
do lagarto.]
louvada seja a huíla.
intimidar o poema a ser raiz
era um poema lateral aos sentidos.
ganhava formato ébrio
ao nem ser escrito.
longe dos pensamentos
imitava uma pedra
[aí as palavras drummondeavam].
longe das lógicas
– com tendência vagabunda –
o poema driblava lados avessos
de noites
e animais
[aqui as sílabas manoelizam, barrentas].
mas uma estrela nunca brilha
tão solitária;
encarece-se também de luuandinar,
miar à couto,
esvair-se para guimarães...
era um poema carente de afectar-se
a ramos gracilianos.
assim alcançava
o estatuto
de raiz.
cheirado, emitia brilhos tímidos
– fosse um pirilampo.
pequeno espanador de tristezas [a derradeira confissão?]
há qualquer coisa de lágrima numa celebração minha.
se soubesse aceitar a beleza das lágrimas não tinha que [me] explicar a origem delas e podia sorrir com as bochechas molhadas mais vezes sem as rugas.
às vezes uma celebração minha é uma timidez – um dia tenho que conseguir abandonar isso e elevar-me a lesma, gambozino, helibélula. acreditar no fio que o grilo ata às estrelas lá longe no universo vincado de negrume; emprestar a minha pele numa jangada quase a afundar; afastar nuvens que dançam nas peles do mar; soprar uma madrugada pra ela voltar a mim [ainda gostava de ter uma crise de asma por excesso de nuvens nos pulmões respiratórios].
sem ser só nas palavras vividas em poesia, pra mim a morte devia ser um voo dançado por um papagaio-pipa – eu quero ser a aragem desse voar. se morrer um dia vou celebrar a palavra morte com incensos e música cantada por andorinhas – a morte anda por aí à solta e a vida afinal parece é uma máscara...
«a palavra vida é maior que a palavra morte», disse-me o meu sobrinho tchiene hoje que ainda faltam dezasseis dias pra ele nascer.
quando ele chegar ao mundo vou mostrar-lhe uma garça gaga que encontrei num poema e me passou a gaguez dela. eu passei a gaguez toda pra uma tarde e foi bonito ver a tarde esticar-se porque não sabia bem como pronunciar o definitivo pôr-do-sol. a noite ficou extenuada – à espera de chegar.
há qualquer coisa de adélia na palavra fé. talvez porque ela seja uma mulher de palavras pesadas com tanta leveza e saiba cavalgar medos selvagens. há na obra dela manchas leves de infância – essa varicela foi muito manuseada por luuandino [o que viajava com intimidade pelas ruas de antigamente, passando por tetembuatubia, kinaxixi, makulusu, olhos das crianças, pássaros e peixes]. certa noite, no lubango, vi o joão vêncio pendurado numa estrela; ao pé da casa onde sonhei nesse serão havia uma represa que era doadora de ruídos bons – apadrinhados por sapos gordos. espreitei pela janela fechada e quase cometi o erro de olhar um gambozino nos olhos. fechei os olhos e abri a janela, limitei-me a olhar assim as estrelas brilhantes numa ternura interna que eu lembro pouco de frequentar [no lubango a ternura brota em mim sem cerimónias].
às vezes uma chuva molhada é uma coisa boa para escorregar momentos em direcção a mim. quando uma chuva molhada cai sobre o mundo redondo, as coisas da vida e a vida das coisas encontram-se num quintal vasto. foi sob uma chuva molhada em canduras que encontrei as barbas do meu pai num poema e o sorriso da minha mãe noutro. foi nas entrelinhas dum poema ensopado que encontrei, várias vezes, a autorização interna pra falar a palavra amor [vou tentar não apagar isto: eu tenho certo receio da palavra amor, espero só que ela não me tenha receios também; seria triste].
foi com as mãos sujas de restos de amor que estiquei uma madrugada. quando digo a palavra madrugada também sinto um esticão no coração. se agora abuso muito das madrugadas é porque cada uma delas tem restos de amor que eu sempre vou perdendo. qualquer dia acumulo esses restos todos e faço uma construção de amor [talvez chame uma mulher pra se encostar ao outro lado dessa construção]. a palavra amor pode ser um labirinto com mais de catorze lados avessos. depois de esticar uma madrugada encosto a madrugada na minha pele e espero. a pele gosta de ser esculpida de novo muitas vezes na vida.
se puser um «v» na palavra esticar, poderei estivar uma madrugada. aí elevo-me a estivador de madrugadas e posso pensar num caixote com luar, um caixote com geada, caixotes pesados de estrelas, caixotes de nuvens carregadas de pingos, um caixote hermético com lágrimas, uma caixinha de costura com restos concretos de amor.
as palavras são muito bonitas também porque têm significados cicatrizados nelas – falo a palavra kwanza e sou invadido pelas belezas de um rio e o sol todo a bater-lhe nas peles da água escura que ele tem. o rio transporta o barro e os peixes e nunca ninguém se queixou de cócegas. há qualquer coisa de jangada na palavra rio. liberdade seria abraçar um jacaré sem lhe apetecer provar-me. eu queria fazer festinhas na carcaça antiga de um jacaré mas se ele me fizer festinhas magoa-me. vou olhar o jacaré de longe e o rio de perto – provar as minhas mãos nele. a pele do rio tem mais espelho que a minha e que a do jacaré. o céu e o sol gostam de verter reflexos nas peles paradas do rio kwanza e eu gosto de saber isso com os meus olhos atónitos de humidade. ali onde o mar beija o rio a espuma celebra o evento com pássaros que perseguem peixes. assim a poesia seja salobra ou salgada.
seria bonito ver os mangais depositarem raízes num poema meu – era a minha maior alegria fluvial.
há qualquer coisa de sapiência na palavra tristeza. e algumas tristezas não são de espanar – um dia posso descobrir que elas me fazem falta e ter que ir buscá-las na lixeira da catin ton.
vou encher-me de silêncios e imitar as pedras. adormecer entre as pedras pode ser que me contagie delas. depois de conseguir ser pedra vou exercitar o sorriso dessa pedra que eu for. com esse sorriso vou iniciar uma construção...
uma construção pode bem ser o lado avesso de uma certa tristezura.
lunes, 7 de enero de 2013
Poema colectivo para celebrar el año 2013. Desde Douala, Camerún
Mukaga
Mukaga !
Mukaga !
C'est le
pas magique,
c'est le cœur
qui bat la mesure
sur l'aile
amicale du soleil.
Hier s'en
va sur mon dos
comme l'or
du soir
et l'espoir
s'ouvre sur les lueurs de 2013 :
Musango !
Musango !
répétons-nous
en chœur.
Mukaga ! Musango
!
la flûte
aiguise l'attente
et la plume
danse
sur la
dernière note du silence.
L'horizon
scintille,
la troupe
chante,
la joie
jaillit des cœurs,
la rupture
est consommée
et 2013...
redit notre humanité.
Il est là
ce jour
heureux qui trace
sur les drapeaux
de la vie
des
cascades de sourires
et le
testament ouvert
appelle des
vœux
qui
scellent le destin lumineux des peuples
avec le
chant puissant du courage :
Mukaga !
Mukaga ! Mukaga...
Frank William BATCHOU, Marcel KEMADJOU NJANKE,
Josiane KOUAGHEU, Pierre La Paix NDAME, Emile Arsèle NGEUTCHEU, Edmond NGAGOUM
y Gilbert TCHOUPA.
Mukaga
Mukaga
Mukaga! Mukaga!
Es el paso mágico,
es el corazón que late el compas
sobre el ala amical del sol.
Ayer se va
sobre mi espalda
como el oro de la tarde
y la esperanza enciende los fulgores de 2013:
Musango! Musango!
repitemos a coro.
Mukaga! Musango!
la flauta aguza la espera
y la pluma danza
en la última nota del silencio.
El horizonte cintila,
la banda canta,
la alegría brota de los corazones,
la ruptura está cumplida
y 2013... dice de nuevo nuestra humanidad.
Ahí está
este feliz día que graba
en las banderas de la vida
cascadas de sonrisas
y el testamento abierto
cita a estos votos
que confirman el destino luminoso de los pueblos
con el canto poderoso del ánimo:
Mukaga!
Mukaga! Mukaga...
Frank William BATCHOU, Marcel KEMADJOU NJANKE,
Josiane KOUAGHEU, Pierre La Paix NDAME, Emile Arsèle NGEUTCHEU, Edmond NGAGOUM
y Gilbert TCHOUPA.
Traducción al castellano de Marcel Kemadjou Njanke
nota: Mukaga significa ánimo y Musango significa paz.
nota: Mukaga significa ánimo y Musango significa paz.
miércoles, 12 de diciembre de 2012
Cuatro poetas actuales de Camerún
Estos poemas han sido grabados sobre telas y colgados en varios hospitales de Duala, Bafusam y Fumbot durante el festival Internacional 3V realizado hace unas semanas, para decorar los cuartos de los enfermos y ayudarles a consolar sus sufrimientos.
Marcel Kemadjou Njanke
Le matin remue
les cauris du sourire,
la joie distribue
ses charmantes fleurs…
Et le cœur s’amuse
sur la piste de danse
De la Vie.
La mañana sacude
las cauris de la sonrisa,
la alegría comparte
sus flores encantadoras...
Y el corazón se regocija
en la pista de danza
de
la Vida.
MARCEL KEMADJOU NJANKE
Le feu du poème
éclaire le ciel couvert
et invite au chant du réveil
porté par les oiseaux.
el fuego en el poema
desvela el cielo nublado
e invita al canto del despertar
llevado por los pájaros
GILBERT TCHOUPA
D'un seul bras...
un ciel bleu
d'un seul cœur...
une belle nuit.
con un solo brazo...
un cielo azul
con todo el corazón
una buena noche.
NGAGOUM EDMOND FRANCOIS
Contempler le soleil,
le soir.
Déposer une rose
sur une page.
Contemplar el sol,
por el atardecer.
Colocar una rosa
en una página.
JOSIANE KOUAGHEU
Traducción al castellano de Marcel Kemadjou
jueves, 6 de septiembre de 2012
DAVID NOLOUPAR. POESÍA ACTUAL DE CAMERÚN
David
Noloupar, su verdadero nombre es Louis
Parfait Noah. Joven escritor y poeta Camerunés. Trabaja en una empresa de
publicidad. Ha publicado una novela, ‘L’amour étonne’, ‘El amor sorprende’ así
como sus poemas en revistas locales y fuera del país.
ANTIGUN
Mi sueño me lleva a menudo me lleva siempre
A las orillas de un país con flores
Una brisa dulce barre hierbas carnosas
Donde todos los cuerpos y todos las almas
Juguetean sin efectos secundarios.
Allí corre un Ogoué claro una Sanaga exuberante
Donde nadan sin duelo los contrarios de la Verdad.
Nunca Dios el Señor se ve allí
Serpentear la sidra amarga de los llantos.
Mi sueño me lleva a menudo me lleva siempre
En ese país donde el rojo y el púrpura
No colorean más que vidas foliáceas vidas con nervaduras
Y donde el durmiente del valle se despierta.
Pero es un sueño que no me sigue
En mis sueños irrisorios en mis tranquilos descansos
El humor de mi silencioso inconsciente
A veces fúnebre pero siempre humillante
Rechaza las ayudas imaginarias de mis votos.
Debilidades vilezas y alegrías alcoholizados
De mi raza mundial me encuentran bajo las sábanas.
Mi humilde mente no teme las lágrimas
Los placeres ocasionales y las armas de la sobrevivencia.
Encuentro un cierto día
Debajo de las pelotillas del cielo y lejos de los árboles maltratados
Las riquezas mecánicas y las herrumbres humanas.
Mi sueño es lo de un paraíso ausente.
No obstante al foro de los poetas y de los aedos
A mi anónimo le gustan los crisantemos y las crisomelas
Los vientos apacibles y los pequeños ratones
Me gustan las carcajadas y los abrazos espontáneos
Y se me dirá todo toda mi impotencia infecundo
Quiero mucho mi semilla desde ahora voluntaria
Para que lejos de la suerte de Edipo o de su hija
Ella rechaza haciendo muecas como hoy
Los fuegos mortales y los gases apocalípticos.
20 aout 2009
jueves, 5 de abril de 2012
NIYONIZIGIYE CELESTIN. Poesía Actual de Burundí
Niyonizigiye Celestin que nació en 1970 es un poeta burundés que vive en el destierro en Canadá. Es Docente de francés desde hace 14 años. Se prepara a publicar su primer poemario.
HUÉRFANA DE MADRE VIVA
No soy una sonámbula. No soy una soñadora.
No soy una profeta, aún menos una hechicera.
No soy nada más que una pedigüeña del amor, Una mendiga de la justicia.
Nacidos de una lindísima madre que se llama Burundi; somos tres gemelos predadores.
Un día a uno de los tres hermanos le gustó acapararse nuestra madre; es así como el fuego se enciende. De los insultos a las riñas, de las riñas al combate, del combate al fratricidio.
Hija infeliz decidió humildemente ir a nacer en otra parte.
¡Oh! Mi querida madre Burundi, desde lejos te veo, más lejana de ti.
Te veo resplandeciente en el horizonte, te veo brillante mi querida madre Burundi.
Te veo rodeada de monstruos y de un gran océano de fuego que me impiden Alcanzarte.
¿Vivir? ¡No! la vida es mi inmenso enemigo.
¿Morir? ¡No! La muerte me ha rechazado. No vivo, sobrevivo, y como vegetales vegeto.
¡Dios Señor! Por favor, sálvame de la mugre, dame la alegría.
Querido Padre líbrame de este desierto de miseria donde vago ejecutando un aire de misterios de la tierra.
¡Bondad Divina! Dime tu morada, te encontraré acá y te presentaré mis lamentos.
¿Dónde estás? ¿Estás en el universo? Subiré las nubes, atravesaré el sol, subiré las paredes de la luna para verte en tu morada y presentarte mis gemidos.
¿Te encuentras en el centro de la tierra? Me hundiré al fondo de los océanos,
Atravesaré el núcleo de la tierra para encontrarte en tu morada y presentarte mis lloriqueos.
¿Bondad divina por quién me tomas?
Hay en este mundo una criatura tan desdeñada, tan desheredada, tan despreciada como yo. Enséñame en el mundo un animal que no tenga casa. Enséñame en el mundo un objeto sin propietario.
¿Dios Señor, por qué me has separada de mi madre antes del destete? ¡Necesito aún tu leche materna!
Los pájaros van a Burundi y regresan sanos y salvos. ¿Señor soy yo menos importante que las aves de corral?
¿Los ríos corren en Burundi y salen sin problemas, Dios Señor, soy yo menos importante que el agua?
El sol y la luna viajan en Burundi con toda seguridad. ¿Dios Señor soy yo menos importante que los astros?
El viento sopla libremente en Burundi, desde el norte hasta el sur, desde el oeste hasta el este como si fuera a casa de su madre. ¿Dios Señor soy yo menos importante que el soplo?
Queridos hermanos africanos no me llamen extranjera, estoy en mi país “África.”
Raza humana no me llame extranjera, yo estoy en mi país “planeta Tierra”.
Querida madre,
no me gusta ser llamada huérfana mientras que vivas todavía.
Escríbeme sobre las hojas de los árboles, el viento me la mandará.
Traducción al castellano de Marcel Kemadjou.
martes, 27 de marzo de 2012
RAIS NEZA BONEZA. Poesía Actual de la República democrática de Congo
Rais Neza Boneza nació en 1979 en la provincia de Katanga en la República democrática de Congo. Vive hoy en Noruega. Es poeta, escritor y activista de la paz. Sus obras publicadas son: ‘Nómada, un poeta refugiado’; ‘Esmeralda negra’; y ‘Cómo conseguir la Paz con medios africanos’.
Vientos africanos
Vientos salinos,
Imágenes de ganado y de pastores,
Vida difícil del desierto,
Espejismo de ciudades de sal distantes.
Vientos Mandinga,
Cantos místicos Bantú,
Vientos del Nilo,
Manantial de leche pura.
Verdadero sentido de la existencia,
Zumos de los mitos de tiempos primeros,
Vientos de las cumbres,
Olas de naturaleza verde.
Encarnación de sonidos misteriosos,
Vientos tropicales, cazando,
Los verdaderos propietarios aletargados de tierra virgen.
Vientos de los sonidos,
Del Norte al Sur de Este a Oeste,
Abriendo el camino a la noche y al día,
Negro y Blanco, vibrando en la inmovilidad.
Vientos de colores múltiples,
Diversos como fueron las flores en el Edén.
¡Sí ! La madre patria es rica
De los lagos a los ríos a los desiertos a los montes.
Canto de un continente, madre de la civilización,
Bello surgimiento, buscando la unidad
Eres la perla de la tierra,
Perla de grandeza incomparable.
Traducción al castellano de Marcel Kemadjou
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